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No tempo dos Cômoros

Coletânea de imagens com o “ontem e hoje” dos Cômoros (embora alguns se refiram a estas dunas como "Baleias Brancas"), no Pontal de Tapes/Lagoa dos Patos. Quem quiser visualizar no satélite, as coordenadas aproximadas são 30º40,900’S e 51º19,000’W (ver imagem). As filmagens p&b são de 1958 (autor desconhecido), As fotos p&b são dos anos 60 e 70. As fotos coloridas são da década de 80. Todas fornecidas por sócios do CNT, a quem agradecemos.

Os primórdios do RGYC

Não há dados precisos, mas tudo leva a crer que na primeira foto, apareça a sede provisória do Rio Grande Yacht Club, junto ao canal do Porto Velho (provavelmente em 1934). Na segunda foto, possívelmente a primeira sede própria do clube, construída em 1936 e transferida/reconstruída após 1940. Mas o RGYC ainda mudaria de lugar mais uma vez: Em 1963, quando começou a construção da atual sede. Para saber mais do histórico vá ao RGYC. Via Papareia.


O naufrágio do Araçatuba

O Araçatuba era um paquete do Lloyd Brasileiro, que em 05/02/1933 colidiu contra o molhe leste da Barra de Rio Grande. Conforme o site Mergulho Brazil, o acidente teria ocorrido à noite, devido à inexistência de um prático a bordo e deficiências na sinalização. Outras fontes (como o Jornal Agora) relatam que a causa da colisão teria sido um forte temporal. A bordo, passageiros e mercadorias como tecidos, pneus, confete e lança perfume (para ser utilizado no Carnaval de Rio Grande). Todos os passageiros e tripulantes foram salvos. Uma curiosidade é que o seu “irmão” de estaleiro, o Araraquara, foi o navio torpedeado em 1942, levando a entrada do Brasil na 2ª Guerra. O Araçatuba foi mais um entre as dezenas de naufrágios em nossa costa. Sobre o tema, publicamos fotos sobre o Mount Athos (arquivos). Via Papareia.


Passado: Cruzando sangas e canais

Nos anos 30, a quase inexistência de estradas ou pontes, fazia com que os velhos “Fordes” passassem por situações insólitas ao atravessar um arroio ou canal. As fotos são do sul do estado. A 3ª foto é no São Gonçalo (já exibida). Mais histórias e fotos são encontrados na fonte. Via Papareia.


Uma viagem no tempo

(se o YT estiver muito lento, dê atualizar e assista pelo Videolog)

O vídeo é uma compilação das imagens de um filme feito em 1958 (autor desconhecido). Nele aparecem os pioneiros barcos e velejadores de Tapes, em uma navegada até os “Cômoros”. Pode-se aí reparar o tamanho destas formações antes da introdução dos pinus no Pontal de Tapes (isso na década de 70). Conforme os relatos do Elemar Alves/Bagual e Hugo Sander/Roy, veteranos navegadores destas águas, o veleiro que aparece nas cenas é o Edaz. Este “guanabara” foi o primeiro veleiro de recreio de Tapes, e pertencia ao Clovis Barcelos, um dos fundadores do CNT (que só iria surgir dez anos depois). Na época então, os barcos de recreio compartilhavam espaço com as embarcações que transportavam arroz. Quanto a lancha que aparece no início das filmagens (Cajila), não se obteve maiores informações. Curioso também é reparar na fateixa (âncora usual na época) e no motor sueco “Penta Volvo”, dois ícones da história da navegação de recreio na Lagoa dos Patos.


Quando a ponte do São Gonçalo caiu

O Papareia de Rio Grande sempre desenterra umas preciosidades. Desta vez foram as imagens de um acidente na ponte férrea do São Gonçalo em Pelotas. Segundo o Papareia, o fato ocorreu com um trem que ia carregado com pedras para Rio Grande. Parece que a ponte estava em manutenção, passando pela troca de rebites. Mesmo assim o responsável pela obra liberou para a passagem do trem. Repare que foi no início da ponte (cabeceira norte, junto ao sobrado) e não no vão móvel.


No tempo dos iates

Do final do século 19 até o início do 20, a navegação na Lagoa dos Patos era feita basicamente por veleiros, regionalmente denominados iates ou lanchões. Na cidade de Rio Grande (no chamado Porto Velho, junto ao mercado) estas embarcações aguardavam a carga e descarga, ou então as condições meteorológicas favoráveis para singrar a nossa lagoa. A imagem vem lá do Papareia.


Essa “é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça" (que até o trema já perdeu!). Reparem no chofer zelando pelo automóvel, enquanto os três botes armados em balsa atravessam o Canal São Gonçalo. A relíquia vem lá do Papareia.


Entre os pioneiros da vela esportiva em Tapes está o Com. Silvio Rebelo (atual Olú Odó/CNT). Na foto de 1969, o Silvio está navegando com seu irmão e o primo em um veleiro da classe sharp. Repare que nesta época os trapiches faziam parte da paisagem da lagoa.

Na década de 60, o Com. Clovis Rui Barcellos encabeçou a fundação do Clube Náutico Tapense (CNT). Com o seu veleiro da classe “guanabara”, acabou entusiasmando muita gente a entrar no meio náutico. Na foto o Edaz, posando para foto no Balneário Municipal/Tapes, com todos os panos em alegoria. Repare também os trapiches da época ao fundo.

A história de Tapes confunde-se com a história da navegação na Lagoa dos Patos. Tapes desde o início beneficiou-se da sua posição geográfica, próxima a capital e das colônias da Serra do Herval. No início do século XX, o porto que era formado por vários trapiches, movimentava mercadorias como o charque e o arroz. Na foto, Yate aportado no trapiche da Fazenda Sto. Antonio (atual "Pinvest").

Na primeira metade do século XX, aportavam pelos trapiches de Tapes diversos tipos de embarcações. Eram barcos como cutters, lanchões, iates, vapores, gasolinas e chatas. Transportavam para Pelotas, São Lourenço, Porto Alegre, entre outros portos, a produção e o abastecimento da nossa região. Destacaram-se na primeira metade do século XX os iates laurencianos, como o OLGA (foto no Arroio São Lourenço).

No começo do século XX a cidade crescia em função do transporte lacustre. Os trapiches consolidavam-se como protagonistas da economia local. Por eles era exportados não somente o arroz, mas também a crina vegetal. Esta era extraída dos butiazeiros e destinada a fabricação de colchões. Pode-se dizer então que neste período, os trapiches foram as artérias que ligavam Tapes ao restante do mundo. Na foto (Clique nela para ampliar) a movimentação de barcos junto aos trapiches (na direita, o Balneário Municipal).

Na década de 20 surge um novo tipo de embarcação nos trapiches de Tapes: Os vapores movidos por rodas com pás. Um deles foi o MONTENEGRO (foto), pertencente à Navegação Dreher. Semanalmente, nas quintas-feiras, o vapor saia de Tapes para Porto Alegre, retornando as segundas-feiras. Transportava víveres para a região e exportando arroz, crina vegetal, couro e peixe salgado. A embarcação participou ativamente da segunda Revolução Federalista. Em 17 de abril de 1923, quando o vapor estava atracado em Palmares do Sul, maragatos apoderaram-se do MONTENEGRO. Na carga, armas e fardamentos dos chimangos.

Embora a importância histórica dos trapiches no embarque e desembarque das mercadorias, por vezes acontecia na região uma outra forma de translado: A carroça puxada por cavalos (foto). O fato ocorria quando as fazendas não possuíam um trapiche, ou quando o proprietário da embarcação não "se acertava" com as tarifas do engenho.

O jornal tapense "A Informação" de 20 de setembro de 1935, publicou anúncio da Navegação Dheher. Nele a companhia oferecia os serviços de seus yates, chatas e vapores, com viagens para os portos de Tapes, Barra do Velhaco (Arambaré) e a capital. Nesta época outras empresas, como a Veloz e Becker, prestavam o mesmo tipo de serviço.

Como já afirmamos, os engenhos e as embarcações compunham o cenário da Tapes do século passado. Entre estes dois estava o trapiche. Na maioria deles havia uma plataforma que deslizava sobre trilhos, as conhecidas “vagonetas”. Na foto dos anos 30, vemos o trapiche da Navegação Dreher com os estivadores transportando sacos de arroz para o vapor Gustavo.

Nos idos dos anos 50, a vela e o vapor passaram a ser substituídos pelo diesel e gasolina. Os "yates" e "vapores", que até então dominavam os trapiches, perderam lugar para barcos motorizados, como o Cacique e o Federal. Curioso é que muitos destas "novas" embarcações à motor, eram adaptações de antigos cargueiros que utilizavam vela ou vapor.

Até os anos 60/70, período em que iniciou a decadência da navegação no Brasil, os trapiches em Tapes não paravam. Na foto de 1949, vemos o Candida em um dia de calmaria.

Na Tapes do século passado, a construção de um trapiche era sinal de prosperidade. Temos nesta foto de 1927, os operários montando o trapiche do engenho Hoff, próximo ao Clube Náutico Tapense.

Quase todo engenho de arroz que está junto a Lagoa dos Patos, possui (ou possuía) uma chaminé. Mas qual era a sua serventia? Eliminar a fumaça das máquinas a vapor, as locomóveis. Apesar do nome ("móveis"), muitas vezes elas eram fixadas dentro do engenho, movimentando os equipamentos ou gerando energia elétrica para este fim. Em Tapes ainda restam, desativadas, duas destas máquinas (a da foto foi para sucata em 2008). Correndo contra o tempo, elas aguardam um projeto de restauração.

As canoas tiveram um importante papel na história da nossa navegação. Apesar de terem sido barcos pequenos em tamanho, sempre foram de grande utilidade na pesca e no transporte de mercadorias.. Aqui temos uma foto dos anos 30, onde uma canoa aparenta estar em obras. O local é a figueira da "rua da praia", junto a atual Casa da Cultura.

No período áureo da navegação na Lagoa dos Patos, o transporte do arroz não se dava apenas em grandes embarcações. Barcos menores (como a canoa da foto) davam uma maior agilidade. Estes possibilitavam a chegada nos atracadouros em períodos de lagoa baixa, ou então, davam acesso os locais de reduzido calado, como os "fundos de fazendas". A foto foi tirada no trapiche da Navegação Veloz (Tapes), na década de 60 (século XX).

Foto de Tapes desde a ponta do antigo trapiche da Navegação Veloz. Na sua direita, o engenho da Mercantil (Com a chaminé que existe até hoje). No início da Rua Adyles Peixoto, ainda restam as pontas dos paus do trapiche. A foto provavelmente é dos anos 60.

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