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Acompanhe as imagens e o relato da viagem do Com. Emilio Petry ao Amazonas |
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Meus amigos,
aí vai um breve relato da nossa ida a Santarém. O barco, o Tapajós Cat III, é praticamente um ônibus aquático. E é esta sua função lá em Santarém. Faz a linha entre as cidades de Santarém e Juruti, com escala em Óbidos. O catamarã tem 61 pés de comprimento por 6,10 m de largura. São dois motores Scania de 500 HP cada, dois tanques de 1.000 l para o diesel e um de 200 l para água. Têm 101 lugares, 4 aparelhos de ar condicionado, DVD e uma TV LCD de 57 pol. Um show. Levamos de reserva na popa, 5 tambores de 200 l de diesel e 4 galões de 50 l de água. Os tanques parecem suficientes, mas devemos levar em conta a velocidade do barco. Os 1.000 l, com um consumo de 50 l/h, dão para um tempo de 18 h (os 100 l restantes ficam no fundo do tanque devido ao seu comprimento). Neste período a gente percorre aproximadamente umas 320 milhas, considerando uma velocidade média de 17 nós. Dá bem para chegar a outro ponto de abastecimento. Na tripulação, além de mim, estavam o Munir, o Melch e o João (todos funcionários da Tapajós em Santarém). Saímos de Tapes às 9 da manhã do dia 06/07 com destino a Rio Grande. Na manhã seguinte, o mar. O Munir iria somente até Floripa, pois precisavam dele na manutenção dos barcos em Santarém, mas acabou indo até o Rio. Dali em diante o comando ao meu encargo. Mandamos ver. O catamarã Tapajós Cat III se comportava maravilhosamente bem no mar. A velocidade que procurávamos manter era sempre logo abaixo de 50 l/h para cada motor. Isso nos dava uma velocidade que oscilava entre 14 e 21 nós. Funcionava assim: No entremeio as ondas, a velocidade ficava em 17-18 nós. Quando alcançávamos alguma onda, enquanto estava na "subida", ela caía para 12-13, Quando a ultrapassávamos e íamos para a "descida", a velocidade ia para 21-22 nós. Então a gente tirava um pouquinho o motor, para não enterrar a proa na onda da frente, caso contrário a alcançaríamos rapidamente. Durante o dia, tudo era fácil e bonito de ver. Dava uma sensacional sensação da velocidade. Mas a noite, tínhamos que baixar para não atropelar as ondas. Segurança em primeiro lugar. Quando passamos o Cabo de Santa Marta, o mar começou a ficar mexido pelo aumento do vento. Resolvemos então passar por dentro, entre e ilha e o continente. Em Floripa chegamos ao Iate Clube Veleiros da Ilha. Surpresa: Não tinha óleo diesel. Seguimos então até Comburiu, que era o porto mais próximo para fazer o reabastecimento. Atracamos na Marina Tedesco. Um espetáculo, de primeiro mundo. Muitas lanchas e alguns poucos veleiros. A maioria dos barcos em galpões de três ou até quatro andares. Tudo muito moderno, limpo e bem organizado. Lá completamos os tanques de diesel e da água. No outro dia saímos às 5h da madruga. A idéia era chegarmos a Ilhabela. Nossa viagem era isto: Sair, navegar, chegar, abastecer e sair novamente. Sempre esperando o mar dar condições para continuar. E era o que fazíamos todos os dias. Depois veio Ilhabela, Rio de Janeiro e Vitória. Abastecemos também em Caravelas (na frente de Abrolhos), onde passamos por mais ou menos umas trinta baleias. Algumas longe, mas outras bem pertinho. Lindas. Emocionante ver este animal imenso assim do nosso lado. Depois chegamos em Salvador e na sequência Natal, Fortaleza, São Luís do Maranhão, e, finalmente o rio, fim do nosso caminho por mar. Neste trecho, o que marcou foi a amplitude da maré. Chegou a ser de 6 metros em São Luís do Maranhão. Isso nos marcou muito, afinal, não estamos acostumados a isto aqui no sul. Depois de um tempo chegamos a Belém. Daí para diante assumiu um piloteiro (prático) que deveria conhecer o caminho. Desta vez o cara era outro. E não era o bicho. Resolvemos então tocar durante toda a noite. Passamos a nos orientar pelo trackmaker que eu havia gravado na viagem anterior com o Cat II. Foi assim que navegamos no rio Pará, até passar pelo Estreito de Breves. Eram 6h da manhã quando entramos no RIO AMAZONAS. Ele é grande, Largo, e com muita água. Como era a época das chuvas, a correnteza beirava os 6 nós. Mesmo com todo aquele tamanho de rio. Imenso, água para ninguém botar defeito. Muitas árvores derrubadas pela força das águas. Ficamos imaginando que em um ou dois anos, já secos, serão troncos que descerão a correnteza. Muitos troncos boiando rio abaixo. O perigo à navegação é eminente. Outra coisa que chamou a nossa atenção: Muita gente. Muitas casinhas na beira do rio, muitas canoas, com mulheres e crianças. Só de vez em quando uma vilazinha com uma igreja, algumas casas e alguns com postes de luz (certamente com geradores locais). E a floresta Amazônica. A floresta também deveria ser escrita com maiúsculas. É linda, fechada, cerrada, com enormes árvores. Tudo é muito bonito. Tudo é maiúsculo. Muitas balsas empurradas, carregadas somente com carretas rodoviárias. Todas sem os cavalinhos, que certamente as esperavam nas cidades. Finalmente, depois de 24 horas desde a saída de Belém, chegamos ao nosso destino final: Santarém. Na chegada fizemos muito barulho com a buzina. Era para anunciar a chegada de mais um barco. Isso para impressionar o povo e também para assustar a concorrência. Ficamos neste ponto, mas o Amazonas continua muito mais a frente. Navegamos apenas um pedaço deste rio maravilhoso. Conforme o GPS foram 4.116 milhas. Imaginem que saímos de Rio Grande e percorremos todo o litoral brasileiro. Faltou só o Amapá. Foi mais uma experiência maravilhosa. |
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